Dying Peacefully

Novos textos velhos

Só mais um da coletânea:

Da Rotina

Acordou de seu porto seguro e abriu com dificuldade os olhos inchados de ressaca. Galanteou o mais-não-tão-branco teto com rugas de preocupação por um átimo de segundo, procedendo-o, de supetão, com o erguimento de seu tronco. Dobrou as pernas e afagou seu recém curto cabelo, pautando as mãos a esconder o rosto baixo com o antebraço. Viu-se papalvo ao render-se àquilo que sempre alegara não o atingir. A alvura da face tornou-se inequívoca e um incessante alvoroço iniciou-se em sua cabeça. Precipitou-se, portanto, a fim de esquivar-se de pensamentos inconvenientes, dirigindo-se ao banheiro. Afrontou seu reflexo palhaço que o analisava e o condenava: era um tolo apaixonado e sabia disso. O convidado desvario ingressou em sua mente e o fez negligenciar qualquer hipótese que revelasse seu estado de submissão. Despiu-se de tudo, foi para debaixo d’água. Libertou-se. Almejou encontrá-Lo, mas a importante missão que o aguardava fê-lo abortar.

Prontamente trajou os mesmos sentimentos e partiu para se encontrar com a vida.


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